Nas minhas limpezas às caixas de email antigas, encontrei um email que enviei ao meu doce e querido S há já algum tempo a propósito de um assunto menos feliz e que nada tinha que ver com o facto de ja não estarmos juntos.
Esta foi a forma que encontrei para subtilmente lhe dizer que já não o amava só a ele, mas amava também o amor da minha vida (…) para além de outros menores;
“…ninguém sabe o que nos reserva a vida… quando tudo parece perdido, descobrimos que sempre estivemos no caminho certo mas apenas não o conseguíamos ver até aí.Ninguém decide o futuro, e nós, temos todo o tempo do mundo…Sei que nem sempre é fácil e que a vida nos prega rasteiras, mas é só para ver se estamos atentos… atentos ao que realmente é importante. Para mim, o importante são as pessoas de quem gosto, a segurança emocional, a liberdade de expressão e pensamento e o conforto (ainda que não necessariamente financeiro). E para ti? Já pensaste no que é realmente importante? Eu sei que não tenho tudo o que desejo mas aprendi a amar o (…) e amo-o muito. Apesar de ele já não me dar a mesma atenção, continua a amar-me e a respeitar-me e apoia-me bastante nas minhas decisões e eu amo-o por isso, porque preciso de alguém. Se a vida fosse perfeita teríamos alguém que preenchesse todos os nossos requisitos sem que exigisse o mesmo de nós ou então, seria possível ter mais do que uma pessoa; uma para amar, outra para viajar, sair e conversar e outra para fazer sexo… e por ai fora conforme os nossos desejos. E poderíamos dizer a todas elas que gostamos delas, que amamos os diferentes aspectos que elas preenchem independentemente do seu sexo ou função.
Porque é que não podemos dizer que amamos mais do que uma pessoa se na realidade é isso que acontece? Porque é que o sentido de posse tem de colocar em causa o respeito pelo outro? Faz-me lembrar aquela pergunta clássica; “gostas mais do papá ou da mamã?”.
Gostamos, só gostamos.
Gostamos porque somos um ser de emoções e porque gostar faz parte da nossa natureza… “
Meu querido S; continuo a amar-te com um carinho muito especial, da forma estranha que sabemos e que só tu compreendes.