A vida é feita de recomeços… quando nos julgamos reestabelecidos, aconchegados no nosso cantinho, imaginando que nada nos irá tirar do “quente”… recomeça tudo de novo. Sentimo-nos qual “barata tonta” no auge da magnifica paulada!!!! E depois passa… deve ser de apanhar muitas pauladas… o stress pós-traumático vem rápido mas vai embora ainda mais depressa!!!! Não há tempo para carpir, é enterrar os mortos e seguir em frente. Mas por debaixo desta pele, o mal enquista e sinto que vai pustular a qualquer momento.
Aprender a não expectar.
Como poderia ter sido suavizado o meu percurso se tivesse acreditado no livro… Só agora, empoeiradas, as memórias dessa leitura parecem tão claras, tão explicitas.
O que mais me parecerá tão óbvio e que poderia ter usado e não o fiz?
Que erros terei de cometer para recordar aquilo que já sabia e não reconhecia? Não, não há dramatismo nem pesar nesta constatação, apenas alivio por saber que cheguei lá. Pelo menos a esta parte do percurso. Muitas mais estarão com certeza à espera… e para isso há que recomeçar.
“venham mais cinco”, mais uma rodada, que eu pago já!
É fácil estar “acordada”, difícil é não estranhar as pauladas.
Corro o risco de parecer senhora de muitas e desencontradas personalidades, mas quem não corre? quem nunca desejou estar longe da sua pele, numa outra, quem sabe mais arrojada ou silenciosa?!
Sinto falta da adrenalina do sexo, da conquista, do falso poder que nos dá.
Sinto falta dos filhos que ainda não tenho e que julgo querer.
Sinto indignação pela falta de conforto (leia-se dinheiro) que tenho e a qual nunca esperei. Simplesmente partimos do principio quando estamos embrenhados na nossa herança, que esta é nossa para usufruirmos e não esperamos as pauladas.
Ali estamos nós, como crianças, olhando os doces do outro lado do vidro, intocáveis quando momentos antes nos lambuzávamos.
Tão perto…